Xi e cúpula do PC prometem mais pragmatismo para estimular crescimento na China

Xi e cúpula do PC prometem mais pragmatismo para estimular crescimento na China
Promessa ocorre em um momento que a maioria dos analistas privados estimam um crescimento de apenas 3% do PIB da China, bem abaixo da meta oficial de 5,5% O presidente Xi Jinping e a cúpula do Partido Comunista chinês prometeram fortalecer a enfraquecida economia no próximo ano, enquanto o país enfrenta uma escalada de novos casos de covid-19 com o fim súbito das restrições da política de tolerância zero à pandemia. Reunidos em Pequim para a Conferência Central de Trabalho Econômico do PC, eles endossaram nesta sexta-feira (16) uma abordagem mais pró-negócios, dizendo que a China “vai encorajar e apoiar o desenvolvimento e o crescimento da economia privada e das empresas privadas”.

A promessa de mais pragmatismo na condução da política econômica ocorre em um momento que a maioria dos analistas privados estimam um crescimento de apenas 3% do Produto Interno Bruto (PIB) da China, bem abaixo da meta oficial de 5,5%.

A reunião de política econômica de dois dias, quando a liderança chinesa define as metas de crescimento para o próximo ano entre outras medidas, ocorre após o abandono, há pouco mais de uma semana, da política de covid-zero, de lockdowns extensos e testes em massa, que debilitaram a economia e desencadearam protestos nacionais sem precedentes por toda a China.

O governo chinês vai fortalecer a coordenação geral da política de combate à pandemia, para assegurar uma “transição” suave e a ordem social durante a atual onda de novos casos, segundo a leitura da mídia estatal chinesa do encontro.

“Devemos insistir na estabilidade primeiro no próximo ano, enquanto lutamos por progresso”, segundo a leitura da mídia estatal chinesa.

A economia da China desacelerou fortemente ao longo do ano em virtude das agressivas medidas anticovid de Xi, segundo analistas. Os danos são significativos para a confiança e os gastos do consumidor doméstico, em um momento em que os investidores internacionais planejam maneiras de reduzir a exposição às políticas opacas de Pequim e à dependência que algumas empresas têm do mercado do país. A Apple, por exemplo, está pressionando os fornecedores a transferir a fabricação do iPhone para fora do país.

Nas últimas semanas, Xi visitou países como Indonésia e Arábia Saudita, onde, sem máscara, conheceu outros líderes que se ajustaram à covid e deram prioridade à estabilidade econômica sobre o controle da pandemia. Para administrar a tensão com os EUA, Xi se reuniu por três horas com o presidente Biden.

Além disso, protestos de rua incomuns na China no mês passado demonstraram ainda mais a fúria dos chineses com as duras restrições contra a covid em vigor há quase três anos.

Em meio ao debate de Pequim sobre um novo apoio ao setor imobiliário e para reconstruir a confiança dos empresários, He Lifeng, membro do Politburo, que deve assumir um papel de liderança na política econômica e financeira, traçou recentemente um plano para a China superar o crescimento de 5% no próximo ano.

Essa taxa ultrapassaria em muito o crescimento dos EUA, de acordo com a expectativa do Federal Reserve de apenas 0,5% de expansão econômica no próximo ano. Superar os EUA em crescimento tem sido uma das prioridades de Xi.

Abandonar os controles da covid e pressionar pelo apoio ao mercado imobiliário por Pequim sugerem novos indícios de pragmatismo.

“Mesmo se falhar, os custos serão limitados” em comparação com o impacto que já se vê na sociedade, economia e no cenário político da China, diz Guonan Ma, membro sênior do Centro de Análise da China do Asia Society Policy Institute, à agência Dow Jones. “Não deve ser pior do que não tentar.”

Xi Jinping

Andy Wong/AP