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Empresário bolsonarista admite integrar grupo que hostilizou Gilberto Gil, mas nega ter xingado o artista

Por Gustavo em 27/11/2022 às 18:04:06

“Gostaria de me solidarizar com o senhor Gilberto Gil e sua família em virtude da ofensa que a ele fora proferida, uma vez que eu também não gostaria de ouvi-la", disse Um empresário de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, é um dos integrantes do grupo bolsonarista que hostilizou o cantor e compositor Gilberto Gil, de 80 anos, no Catar, durante a vitória do Brasil sobre a Sérvia por 2 a 0 na última quinta-feira.

Ranier Felipe dos Santos Lemache, de 43 anos, aparece nas imagens vestindo a camisa da seleção com o nome de “Papito Rani” escrito nas costas. Em determinado momento, ele grita “Vamos Bolsonaro” e “Você ajudou o Brasil para c...”. No vídeo, ainda é possível ouvir: “Vamos, Lei Rouanet” e, ao final, uma voz se sobressai xingando Gil: “obrigado, filho da...”.

Em nota enviada ao “Globo”, Lemache admite que estava no grupo que hostilizou Gilberto Gil, mas nega ter xingado o artista. “Gostaria de me solidarizar com o senhor Gilberto Gil e sua família em virtude da ofensa que a ele fora proferida, uma vez que eu também não gostaria de ouvi-la".

Ele afirma que disse somente outras frases ouvidas na gravação, uma delas em tom irônico.

“Decerto não era o momento, tampouco o local adequado, mas, as duas únicas frases ditas por mim foram: "Vamos Bolsonaro" e "Você ajudou o Brasil para c..." (essa última em evidente tom de ironia, haja vista a divergência política) que, com todo respeito, não configura nenhuma ofensa. Em virtude da polarização política existente hoje no Brasil, uma outra pessoa que estava atrás de mim extrapolou e desferiu um xingamento ao Sr. Gilberto Gil. Entretanto, repita-se, não foi eu!!!” escreveu.

No comunicado, Lemache escreveu ainda que, apesar da divergência dele aos ideais ao do cantor, reitera “o mais absoluto respeito" ao nobre artista.”

Lemache, que atualmente mora na Flórida (EUA), é sócio de diversas empresas, entre elas uma franquia de uma rede de pizzarias. Apoiador de Bolsonaro, o empresário, no dia da vitória do Luiz Inácio Lula da Silva em 30 de outubro, escreveu: “O Brasil é maior que nossa divisão política. Que possamos ter paz e harmonia nos próximos anos. Deus acima de tudo. Empatia para todos.”

Na manhã deste domingo, o compositor usou suas redes sociais e falou pela primeira vez após o episódio em que ele e a esposa, Flora Gil, foram hostilizados. No vídeo, o cantor agradeceu pela solidariedade prestada a ele por amigos e fãs depois do ocorrido dia do jogo entre Brasil e Sérvia pela Copa do Mundo.

"Obrigado a todos pela corrente de solidariedade, aos amigos que ligaram e se manifestaram nas redes sociais. Amanhã estaremos torcendo pela seleção brasileira e por um Brasil sem ódio", escreveu no Twitter.

Como mostrou o blog Panorama Esportivo, Gilberto Gil decidiu não fazer nenhuma denúncia ou reclamação formal à organização da Copa do Mundo. O artista está no mesmo hotel que serve de concentração para a seleção brasileira em Doha, e recebeu a solidariedade de algumas pessoas por lá. O técnico Tite e os jogadores não souberam do ocorrido.

Fonte: Valor Invest

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