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Polícia

Militares se mobilizam para pressionar governo acerca da Força Tarefa

Praças estão insatisfeitos por concorrerem aos serviços com oficiais e com a remuneração-extra congelada desde 2014

Por Da Redação 12/02/2021 às 13:35:07

Quer deixar um trabalhador desmotivado? Mexe no bolso dele! Isso vale para tanto para o funcionalismo público quanto para a iniciativa privada. Esta máxima tem sido motivo de descontentamento dentro da Polícia Militar. Mas a briosa baixou os salários? Não! Nem pode. No entanto, os praças estão reclamando que agora, na nova gestão, eles estão disputando os serviços da Força Tarefa com os oficiais da corporação e ainda reclamam da defasagem do valor pago, que não é reajustado desde que foi criado, em 2014.

A Comando de Policiamento da Capital determinou que as guarnições da Força Tarefa devem ser constituídas obrigatoriamente por um oficial ou graduado e dois praças. No comando anterior, a FT tinha, via de regra, três praças. Quando de sua criação, a FT veio com o apelido de "Bico Legal", que era uma forma dos PMs terem um incremento em seus vencimentos sem ter que fazer serviço como segurança para particulares.

Nesta semana, a União dos Policiais Militares e Bombeiros Militares do Estado de Alagoas (UPM/AL) divulgou nota cobrando do Executivo que o valor pago para o serviço da Força Tarefa não permaneça estagnado, mas que progrida em caráter de urgência.

"A Força Tarefa foi criada para afastar o policial das famosas virações ou bicos. Ela veio com um valor de R$ 120,00 por serviço. Ocorre que tal valor não sofreu mudança desde o ano de 2014, mesmo estando em lei que esse reajuste seria feito anualmente baseado no IPCA. O efeito disso tem sido que o projeto hoje deixou de ser benéfico para o PM, passando simplesmente a ser uma forma de compensar os não reajustes salariais passados e, aos poucos, temos nossos policiais novamente arriscando sua vida em bicos. Para completar em 2021 temos a Força Tarefa sendo usada como a grande propaganda do governo na mídia, além disso, agora, durante o serviço são inúmeras OPO para serem cumpridas e a valorização do policial que a executa não acompanhou essas ações", assinala a UPM/AL.

A entidade classista propõe que os policiais militares optem para, a partir do mês de abril, ninguém se disponha a entrar no serviço da Força Tarefa na Policia Militar de Alagoas até que haja uma adequação do valor pago. "Isso não seria um apelo em vão, nem tampouco um ato de egoísmo, mas tão somente uma ação que demonstraria a força da nossa tropa diante da omissão que está sendo feita", justifica.

Questionado sobre o situação como um todo, o deputado estadual Cabo Bebeto (PTC), ele respondeu que "A Força-Tarefa foi criada para ter um reforço no policiamento e não distingue quem deveria tirar. Se os oficiais estão tirando é porque precisam. A categoria está há cerca de cinco anos sem reajuste salarial e o que estamos recebendo são reposições salariais de negociações de outros governos, por isso essa onda de descontentamento. Nossa escala já é bem apertada. O ideal era que o policial trabalhasse numa escala justa, que pudesse usufruir da sua folga para estudar, descansar, curtir com a família e cuidar da saúde. Mas, infelizmente, a tropa hoje depende desse tipo de serviço. Acho que a sociedade ganha muito mais com o policial descansado do que um policial trabalhando quase todos os dias", defende.




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