China e Índia concordaram, nesta quarta-feira (17), em “reduzir a tensão” na fronteira, após um sangrento incidente nesta semana, que causou a morte de 20 soldados indianos em uma disputada região fronteiriça no Himalaia.

Ambas as partes concordaram em manter a paz na região, anunciaram autoridades chinesas no final de uma conversa entre os dois ministros das Relações Exteriores.

Os confrontos de segunda-feira no Himalaia, que provocaram a morte de pelo menos 20 soldados indianos, marcam o primeiro incidente bilateral com mortos em 45 anos.

China e Índia, ambas potências nucleares, são as duas nações mais populosas do mundo, com cerca de 2,8 bilhões de habitantes entre elas.

Na madrugada de segunda para terça-feira, militares dos dois gigantes asiáticos tiveram um confronto corpo a corpo, de grande violência, com socos, pedras e barras de ferro.

O episódio ocorreu no Vale de Galwan, a mais de 4.000 metros de altura, área que é objeto de um velho litígio fronteiriço.

A morte de 20 soldados indianos no confronto com o Exército chinês “não terá sido em vão”, disse hoje o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em sua primeira declaração pública sobre o assunto.

“A Índia quer paz, mas é capaz de dar uma resposta à altura quando provocada”, alertou Modi.

Pouco depois, a China anunciou que “não deseja” mais confrontos com a Índia, conforme um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

– “Graves acontecimentos” –

Um outro passo em direção à distensão ocorreu após uma conversa entre o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, e seu homólogo indiano, Subrahmanyam Jaishankar.

“As duas partes concordaram em lidar de maneira justa com os graves acontecimentos causados pelo conflito no Vale de Galwan”, disse o Ministério chinês, após a conversa dos dois ministros.

Pequim e Nova Délhi concordaram em “respeitar os consensos obtidos em reuniões militares entre as duas partes, apaziguar a situação no terreno o mais rápido possível e manter a paz e a tranquilidade nas áreas fronteiriças” acrescentou a diplomacia chinesa.

– Socos e pedras –

No início de maio, os confrontos com socos, pedras e paus opuseram os militares de ambos os países na região de Sikkim, onde foram registrados vários feridos.

As tropas da China também avançaram em áreas consideradas pela Índia como parte de seu território em Ladakh, o que levou o governo indiano a trazer reforços para a região.

As tensões entre os dois países aumentaram nas últimas semanas ao longo de sua fronteira de 3.500 quilômetros, que nunca foi adequadamente delimitada.

Os dois países se enfrentaram em uma guerra relâmpago em 1962. Desde então, os confrontos em regiões montanhosas entre os exércitos indiano e chinês se tornaram mais frequentes nos últimos anos.

Em 2017, houve 72 dias de combates depois que as forças chinesas avançaram no disputado setor de Doklam, na fronteira entre China, Índia e Butão.