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Economia

Total de entrevistas realizadas na Pnad cai para 50% dos domicílios, diz IBGE

Por Henrique Dias 12/04/2021 às 23:26:54
O total de entrevistas realizadas caiu de uma média de 90% para a faixa de 50% dos domicílios que participam da amostra da pesquisa Passado um ano do início da coleta de dados por telefone para a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua por causa da pandemia, o total de entrevistas realizadas caiu de uma média de 90% para a faixa de 50% dos domicílios que participam da amostra da pesquisa. A informação é da coordenadora de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Maria Lúcia Vieira.

“Na pesquisa de janeiro, já divulgada, o aproveitamento da amostra foi de 52,9%. É um mês geralmente com resultado pior, por causa de férias. Em fevereiro, avançou para 53,8%. A pesquisa de março está atualmente com cerca de 40%, mas a coleta vai até o dia 28 de abril e nossa expectativa é de um resultado melhor que o de fevereiro”, diz.

O IBGE alterou o calendário e adiou a divulgação dos dados da Pnad Contínua ao longo de 2021, citando a necessidade de maior tempo para a coleta de informações em campo. A informação foi publicada no site em 17 de março, na parte de comunicados gerais, mas não chegou a ser enviada por e-mail aos jornalistas que acompanham o trabalho do instituto.

A mudança foi decidida, explica ela, porque o calendário anterior considerava a retomada das coletas presenciais dos dados, o que não foi possível em função da piora da pandemia. Com isso, foi necessário ajustar as datas. Caso a coleta presencial seja retomada, o calendário será antecipado, informa.

O IBGE enfrenta dificuldades para fazer a pesquisa por telefone desde que suspendeu a coleta presencial em 17 de março do ano passado, em função da pandemia. O desafio é obter os números de telefone (fixo ou celular) dos moradores dos domicílios que precisam ser entrevistados.

Precisão estatística

Maria Lúcia reforça que os resultados da pesquisa continuam com precisão estatística, embora reconheça que alguns recortes específicos podem ser comprometidos e por isso deixaram de ser publicados, como já informado pelo IBGE. Ela aponta que “não foram percebidas mudanças para os indicadores de Brasil” e que a decisão de não divulgar algumas desagregações dos dados se deu por uma postura conservadora do IBGE.

No momento, a Coordenação de Metodologia e Banco de Dados do IBGE está realizando um estudo para avaliar o impacto da coleta por telefone nos indicadores e também uma nova forma de expansão da amostra da pesquisa para a população, conta a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE.

“A ideia do estudo é avaliar o impacto da entrevista por telefone nos indicadores, que pode ser tanto pela coleta por telefone em si ou pelo viés de disponibilidade. Pode haver diferença na reação da pessoa ao responder um dado por telefone, como rendimento, por exemplo, que é uma informação sensível. Outra influência pode ser pela disponibilidade. Uma situação que pode ocorrer é que na área rural o acesso ao telefone é mais precário, então pode ocorrer um aproveitamento menor da amostra nas áreas rurais. É apenas um exemplo”, explica Maria Lúcia.

Ela nega que a coleta de dados por telefone afete a qualidade dos dados e aponta que outros países já adotam a metodologia.

“É uma forma diferente de captar os dados. Conhecendo esse efeito, isso pode ser considerado na expansão da amostra. Na Espanha, apenas a primeira coleta de dados em um domicílio é presencial, as demais são feitas por telefone. Portugal está fazendo seu Censo com coleta por telefone internet”, afirma.

Fonte: Valor Invest

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