12/09/2020 às 17h30min - Atualizada em 12/09/2020 às 17h30min

Acusado de atentado contra oficial de Justiça é ouvido por teleconferência

Iracema Ferro
Quem pensa que a vida de funcionários do Judiciário é fácil, pode estar enganado. Embora tenham remuneração convidativa, se comparado com os salários oferecidos pela iniciativa privada, os riscos são inúmeros, assim como para quem trabalha na segurança pública. São inúmeros os exemplos de ameaças, atentados e até assassinatos destas categorias de servidores públicos, em função das atividades que exercem.
Um exemplo disso é o oficial de Justiça Robert Manso, que, mesmo sendo conhecido pelos amigos e vizinhos como uma pessoa pacata e sem inimizades, teve sua casa, na Santa Amélia, parte alta de Maceió, invadida por criminosos que atentaram contra a sua vida, mas não obtiveram êxito, uma vez que a pistola pinou. O atentado aconteceu no dia 19 de setembro de 2017, por volta das 6h. Praticamente três anos depois, apesar das várias diligências policiais, que incluíram operações determinadas pela 17ª Vara Crimimal da Capital, o caso segue lentamente.
Um dos supostos acusados de participação no crime, Cleiton Deodato, foi ouvido por videoconferência na quinta-feira passada (10) pela juiza substituta da 7ª Vara Criminal da Capital, Marcela Pontes Garcia
 (cuja titularidade é do magistrado Filipe Munguba), pelo promotor responsável pelo caso, Ary Lages. Rodrigo Monteiro, advogado assistente da acusação, acompanhou a audiência.

O método de depoimentos virtuais tem sido adotado pelo judiciário para evitar a proliferação do coronavírus e manter a oitiva de réus, vítimas e testemunhas. 
Cleiton Deodato está recolhido ao sistema prisional por um outro crime, mas as investigações apontam que ele pode estar envolvido no atentado a Robert Manso.
Durante as investigações, o delegado Vinícius Ferrari, desarticulou uma organização criminosa envolvida com tráfico de entorpecentes e homicídios, tendo integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), facções do Sudeste que hoje possuem 'capilaridade' em vários pontos do Brasil.
O caso começou a ser desvendado depois que um ex-presidiário, que conhecia os envolvidos no crime, passou a ser ameaçado. Com medo de ter a vida ceifada, ele foi à Polícia Civil e revelou o que sabia sobre o atentado contra Robert Manso.
O depoente disse ao delegado Vinícius Ferrari que os acusados tinham dois objetivos em mente ao entrar na casa do oficial de Justiça: matar Robert Manso e subtrair as armas que ele tivesse em casa.
Armas, no plural mesmo, tendo que vista que os acusados acreditavam que o oficial de Justiça estivesse de posse de um pequeno arsenal em sua residência.
As armas seriam aproveitadas para municiar a facção, mas e a morte do oficial de Justiça? De acordo com o depoente, como Robert Manso geralmente ia cumprir os mandados e intimações acompanhado de integrantes da Polícia Militar, a presença de viaturas indo e vindo na Santa Amélia estaria prejudicando os 'negócios' do tráfico, tendo em vista que os usuários temiam ir ao local comprar drogas com medo de serem flagrados pelos militares e os fornecedores começaram a ter receio de levar o material até a Santa Amélia. Tirar a vida de Robert Manso foi a forma encontrada por eles para evitar o fluxo diário do policiamento ostensivo por lá.
Eles não conseguiram o primeiro intento: tirar a vida do oficial de Justiça. Nem o segundo: tomar as armas, tendo em vista que Manso tinha apenas uma arma e esta não lhe foi subtraída. No entanto, o oficial de Justiça achou por bem e para segurança dele e da família deixar o sítio onde morava, seguindo conselho do secretário de Segurança Pública.
O suposto líder da orcrim seria Matheus Ferreira da Silva, conhecido como "Janela", que está em local incerto e não sabido, tendo sido intimado através de publicações, mas não foi ouvido.
O depoente disse ainda que fazriam parte da quadrilha de "Janela", Cleiton Deodato, chamado pelo apelido de Jurubeba; Allan; um jovem conhecido como 'Lágrima da Cerâmica'; Anderson da Silva, o 'Lilito'; Alessandro Amorim; Hugo, também conhecido como 'Índio'; Victor; Douglas Skrloff; José Arthur Beder, o 'Dudu'; e José Henrique Duarte, 'Lola'. 



 
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