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Em júri, PM confirma versão de acusado de matar morador de rua

Paulo de Tarso disse ter encontrado droga no barraco do morador de rua e afirmou que não presenciou tiro

Por Gazetaweb em 22/03/2023 às 15:10:47

Paulo de Tarso confirmou versão de colega acusado de atirar em morador de rua

O policial militar Paulo de Tarso Brito de Jesus, segundo réu a ser ouvido nesta quarta-feira (22), durante julgamento referente ao caso que resultou na morte de um morador de rua no ano de 2012, no bairro do Jaragu√°, contou que não presenciou o momento em que a vítima foi baleada pelo colega de farda, mas que viu o companheiro de trabalho atordoado e dizendo que atirou após o morador de rua tentar tirar a arma dele.

"Eu não matei a vítima. Só ele [Edilson Rosalino dos Santos] efetuou o disparo. Eu era o motorista da viatura. Est√°vamos eu, o Eufr√°sio (comandante) e o Edilson. A vítima aparentemente estava drogada. Nós fomos ao local onde ele guardava ou escondia drogas e os produtos de furtos. Eram 3 pessoas l√°. Eu entrei com a lanterna e encontrei uma pequena quantidade de pedras de crack. O Edilson ficou fora com a vítima e o Eufr√°sio ficou na viatura", relatou.

Em seu depoimento, o militar contou que, após recolher a droga, ficou fora do barraco conversando com o Eufr√°sio. Foi quando ouviu o disparo vindo do local onde estavam o Edison e a vítima. "O Edilson saiu atordoado dizendo que a vítima tentou tirar a arma dele. Inclusive nós pensamos que o Edilson tinha sido baleado. Em seguida, depois do ocorrido, nós entramos l√° para prestar socorro. Em nenhum momento houve qualquer agressão contra a vítima, ou outras pessoas", pontuou o militar.

Paulo de Tarso também negou ter ouvido gritos, ou mesmo qualquer outro clamor da vítima antes e depois de sofrer o tiro. "Edilson não queria matar a vítima", disse.

Questionado sobre o fato dele ter entrado no imóvel sem mandado, o mesmo afirmou que o local não era uma resid√™ncia, mas um imóvel abandonado.

O depoimento dele confirma a versão dada por Edilson Rosalino dos Santos, que assumiu a autoria do disparo, mas alegou que a vítima tentou pegar sua pistola.

Último réu

O 3¬ļ sargento Antônio Carlos Eufr√°sio dos Santos, que comandava a guarnição e também responde pelo crime, prestou depoimento em seguida. Ele contou como chegaram até a vítima.

"Est√°vamos em ronda por Jaragu√° e chegou a informação que tinha alguém vendendo drogas na √°rea. Com as características físicas do indivíduo, conseguimos identificar um travesti fazendo uso de entorpecentes. Fizemos a abordagem e encontramos apenas a droga que estava sendo cunsumida. Perguntamos se havia mais e ele negou. Então fomos a um local, um barraco que era improvisado e que não tinha nem porta. O motorista Paulo de Tarso entrou e voltou trazendo um pacote com v√°rios papelotes de maconha. Eu orientei que se iniciasse o procedimento. De repente, ouvimos o estampido. O Edilson saiu após gritando que a vítima tentou pegar a arma dele. Eu perguntei se ele [a vítima] estava vivo ainda e levamos pro HGE.

Assim como o colega de farda, ele negou ter ouvido qualquer grito, clamor ou pedido de clem√™ncia por parte da vítima. Eufr√°sio também negou que tenha sofrido qualquer agressão ou ameaça vinda da vítima. Disse ainda que não sabia onde a vítima morava, negando que exista um auto de resist√™ncia no inquérito reinvindicado pela promotora Adilza Freitas.

O CRIME

De acordo com os autos do processo, o crime ocorreu no dia 27 de novembro de 2012, quando a vítima foi abordada por policiais militares na Praça Dois Leões, no bairro do Jaragu√°. De l√°, Genivaldo Quirino foi levado até sua resid√™ncia, localizada na antiga estação rodovi√°ria, quando foi espancada, torturada e, depois, morta.

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