31/07/2020 às 08h10min - Atualizada em 31/07/2020 às 08h10min

Vereador acusa colegas de esquema para nomear assessores e recebimento de propinas

Redação, com Assessoria Secom/AL
Vereador Damião se diz líder de pesquisas e acusa colegas de crimes
Técnicos da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (SEAGRI), estiveram na quinta-feira (30) na cidade de São José da Tapera, no Sertão alagoano, com a responsabilidade de constarem in loco denúncias de um grupo de agricultores que se dizem vítimas de chantagem política supostamente praticadas pelo vereador Cosme Damião Santos Silva (PSDB).

Conforme documentos entregues nas mãos do governador Renan Filho (MDB), no começo deste mês de julho, durante visita ao canteiro de obras do Canal do Sertão, o político de Tapera, que se utiliza do apelido de Cosme Guedes, condiciona o uso de um trator modelo A850, série 437838, pertencente a SEAGRI e cedido a Associação de Desenvolvimento da Juventude no Semiárido (ADEJUSA), a explicita troca de votos.

SAIBA MAIS   Renan Filgo quer investigar vereador de Tapera acusado de trocar trator do Estado por votos

Conforme relatos, gravados em vídeos pelos denunciantes, Cosme Guedes mantém o trator em sua residência, na Zona Rural da cidade e só estaria liberando para os trabalhos no campo se as famílias se comprometerem votar nele para prefeito.
 
Na quinta, os técnicos estiveram na sede da ADEJUSA, associação a qual foi entregue o trator, conforme extrato do Termo de Permissão Gratuito de Uso de Bem Público N° 011/2017, assinado na época pelo ex-secretário Álvaro Vasconcelos, no Sítio Boa Esperança, também na Zona Rural de São José da Tapera. Lá, foi descoberto que a sede da entidade, que seria liderada pelo vereador tucano, é em uma escola municipal desativada, cujo prédio está abandonado.


Na noite da quarta-feira (29), após ser divulgada a denúncia e a preocupação do governador em acabar com a suposta “compra de votos” praticada pelo vereador, o político usou sua página pessoal no Facebook para tentar desmentir o fato e colocar em xeque a originalidade da denúncia.
 
Se auto intitulando bacharel em Administração, através de um curso na Universidade de Santo Amaro (SP) e com pós-graduação em MBA pela Unopar, o vereador Cosme Guedes, “dono” de um português sofrível, contra-atacou dizendo que é vítima de mentiras e sem dá nomes, da inveja de adversários políticos que não aceitam o crescimento de sua popularidade.


Sem declarar nomes, Damião também acusou a presidência da Câmara Municipal de montar um esquema de nomeação de assessores e que somente ele (Damião) não aceitou participar da trama. Ainda no mesmo vídeo, o tucano foi categórico quando acusou outros políticos de São José da Tapera – supondo-se que são os próprios colegas vereadores – de receberem propina.

Procurados para confirmarem a existência do suposto esquema de nomeações de assessores e o pagamento de propinas, vereadores que integram a Mesa Diretora da Câmara não foram encontrados.
 
Figura emblemática na política de Tapera, o vereador, que já apoio a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais recente defendeu a política do presidente Jair Bolsonaro, se faz valer do uso de um crucifixo de madeira, biblia na mão e vestes de “homem santo” para difundir seus discursos, inclusive na Câmara, cujo secretaria da Casa oficializou a reportagem que durante seu mandato o político é detentor de um número exíguo de projetos aprovados, embora seja um dos edis que proporcionalmente tenha um número satisfatório de indicações e, principalmente tentativas de aprovação de Projetos de Lei.

Se dizendo político de oposição, o tucano, no ano passado, se esquivou da relatoria de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que analisava denúncias contra o prefeito José Antônio Cavalcante, de Tapera. Após passar quase dois meses com os documentos que continham denúncias contra o chefe do Executivo, acusado de irregularidades na administração do Instituto da Previdência dos Servidores Públicos do Município de São José da Tapera (IAPREV), Damião desistiu de dá o parecer, alegando que a Mesa Diretora da Câmara havia se recusado em alterar os horários das sessões (da noite para o dia), mesmo sabendo que ele supostamente estaria ameaçado de morte, versão desmentida pela polícia.

Damião, que tem divulgado que é responsável, juntamente com o senador Rodrigo Cunha, pela aprovação de inúmeros projetos (com a chegada de recursos financeiros para as contas da Prefeitura), contemplando comunidades carentes na Zona Rural taperense, também se prevalece de sua oratório – em alguns momentos incompreensível – para se auto afirmar líder nas pesquisas que supostamente lhe apontam como o candidato mais preparado para assumir a cadeira de prefeito. 

Procurada para confirmar a chegada dos recursos, a assessoria da Prefeitura de Tapera alegou estranhar a informação e orientou a reportagem confirmar através do Portal da Transparência a liberação dos valores e para quais obras. A assessoria também informou que desconhece se o papel de um vereador é fazer projetos macro diretamente para a liberação de recursos federais para seus municípios. 

O político, que já desistiu de uma midiática campanha de deputado estadual, acusado seu antigo partido, o Progressista de “não lhe apoiar”, também se ausentou, em março deste ano, da votação para a aprovação do reparcelamento e parcelamento de uma milionária dívida da prefeitura com o IAPREV. Dizendo que estaria em Brasília, onde seria atendido pelo presidente Jair Bolsonaro, Damião, na verdade, nunca foi recebido pelo presidente. Seu encontro aconteceu com assessores de Bolsonaro, que receberam das mãos do político de Tapera – conforme oficializou a assessoria da Presidência da República – documentos sem nenhuma sustentação técnica ou amparo de Lei, solicitando a intervenção do Governo Federal na realização de supostos projetos para beneficiamento de água para comunidades do município.
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »