Ernesto Araújo cita filósofo chinês em rede social, em crítica velada à China

Ernesto Araújo cita filósofo chinês em rede social, em crítica velada à China
Ministro das Relações Exteriores reproduziu trecho de obra de Lao Tzu sobre "tentar controlar o mundo" O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, postou no Twitter trecho de texto do filósofo chinês Lao Tzu sobre tentar "controlar o mundo", em mais um capítulo da troca de estocadas entre o Itamaraty e a China nos últimos dias. Embora Ernesto não tenha se referido diretamente à China, abaixo do trecho postado "Tentando controlar o mundo? Vejo que não conseguirás. O mundo é um vaso espiritual e não pode ser controlado", do Tao Te Ching, um dos principais textos do taoísmo, vários comentários mencionavam comunismo e a China.

O chanceler tem sido crítico contumaz de uma suposta tentativa de dominação do comunismo no mundo, o "pesadelo comunista" e se refere ao SARS-COV2 como "comunavírus". Ele e o presidente Jair Bolsonaro têm alertado para a "cristofobia", sendo que a China é um dos países que persegue os cristãos, ainda que, na maior parte do mundo, outras religiões sejam alvos mais frequentes de repressão.

Na quarta-feira, o Itamaraty havia enviado um ofício repreendendo a embaixada da China pelas críticas contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), dizendo que a resposta da missão diplomática ao parlamentar trazia conteúdo "ofensivo e desrespeitoso".

"Não é apropriado aos agentes diplomáticos da República Popular da China no Brasil tratarem dos assuntos da relação Brasil-China através das redes sociais. Os canais diplomáticos estão abertos e devem ser utilizados", disse o ministério das Relações Exteriores, em carta enviada aos representantes do governo chinês no Brasil na quarta-feira.

A correspondência foi revelada pelo canal de notícias CNN Brasil.

Com a carta, o Itamaraty respondeu à manifestação dos chineses contra uma publicação de Eduardo - filho de Jair Bolsonaro (sem partido) e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara -, que associou o governo de Pequim a espionagem de dados.

O deputado afirmou em suas redes sociais na noite de segunda-feira que o Brasil endossou iniciativa dos Estados Unidos para manter a segurança da tecnologia 5G "sem espionagem da China".

"O governo Jair Bolsonaro declarou apoio à aliança Clean Network, lançada pelo governo Donald Trump, criando uma aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China", escreveu. "Isso ocorre com repúdio a entidades classificadas como agressivas e inimigas da liberdade, a exemplo do Partido Comunista da China", disse o deputado.

No dia seguinte, Eduardo apagou a postagem. Ainda assim, a embaixada chinesa no Brasil respondeu, exortando Eduardo e outros críticos do país asiático a abandonar a retórica da extrema direita dos EUA, para evitar "consequências negativas".

O Taoísmo e o Confucionismo são as únicas religiões toleradas e incentivadas pelo governo chinês. O partido comunista sempre reprimiu o poder de mobilização das religiões em geral e, no governo de Xi Jinping, houve aumento na perseguição a cristãos, com remoção de cruzes e destruição de igrejas, e a muçulmanos (principalmente uigures).