Commodities: Em dia de aversão ao risco, grãos recuam em Chicago

Por Gustavo em 23/09/2022 às 19:24:00

Trigo, milho e soja encerraram o pregão em queda Os investidores reduziram suas posições no mercado futuro de commodities agrícolas nesta sexta-feira, em sessão marcada por aversão ao risco e aumento do dólar. Trigo, milho e soja recuaram na bolsa de Chicago.

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Os contratos do trigo para dezembro, os mais líquidos, caíram 3,32% (30,25 centavos de dólar), a US$ 8,8050 por bushel, e os lotes de segunda posição, para março do ano que vem, fecharam em queda de 3,06% (28,25 centavos de dólar), a US$ 8,9375 por bushel.

“A tendência é de enfraquecimento dos preços dos grãos desde que o banco central dos Estados Unidos aumentou sua taxa de juros”, disse a AgResource, em nota. O Federal Reserve elevou as taxas em 0,75 ponto percentual na última quarta-feira.

Outro fator de pressão sobre as cotações é a perspectiva de aumento da produção de trigo na Rússia. A consultoria Ikar projetou colheita de 100 milhões de toneladas neste ano, 3 milhões a mais que a previsão anterior.

Colheita de trigo no Paraná

Jaelson Lucas / AEN / divulgação

Soja

Os contratos da soja para novembro, os de maior liquidez, recuaram 2,14% (31,25 centavos de dólar), a US$ 14,2575 por bushel. Já os lotes de segunda posição, para janeiro do ano que vem, caíram 2,15% (31,50 centavos de dólar), a US$ 14,3175 por bushel.

“Temos hoje um movimento de queda generalizada das commodities, diante do sentimento de aversão ao risco. A percepção dos investidores é de que o aumento nos juros nos EUA ainda não é suficiente para combater a inflação. O mercado de títulos do Tesouro americano aquecido sugere que ainda há receio com a recessão global”, disse Roberto Carlos Rafael, sócio-proprietário da Germinar Agronegócios.

Segundo ele, persiste o receio sobre o efeito de uma eventual recessão sobre a demanda por commodities. “O petróleo vem em forte queda e pode continuar puxando para baixo a soja e o milho”, afirma. Hoje, o barril do petróleo tipo Brent, usado como referência global, fechou em queda de 5,02%, a US$ 85,03

Milho

No mercado do milho, os contratos para dezembro, os mais líquidos em Chicago, fecharam em queda de 1,67% (11,50 centavos de dólar), a US$ 6,6775 por bushel. Os papéis de segunda posição, para março do ano que vem, por sua vez, recuaram 1,66% (11,50 centavos de dólar), a US$ 6,8175 por bushel.

A queda do petróleo pressiona o milho porque reduz a competitividade do etanol nos Estados Unidos. No país, o grão é a principal matéria-prima do biocombustível.

Roberto Carlos Rafael lembra, por outro lado, que o tempo seco durante a época de plantio pode mudar o cenário dos preços do cereal. “O clima adverso afetou a produção nos EUA, Europa e China. Os preços tendem a cair na colheita, mas é preciso esperar para ver se teremos mais perdas na produção. Uma safra menor do que o esperado pode dar suporte às cotações em um momento de estoques mais apertados”, pontuou.

Fonte: Valor Invest

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