NY: Bolsas fecham em queda ante temor de recessão

Por Gustavo em 23/09/2022 às 17:54:01

Cresce preocupação dos investidores com o desempenho das economias diante das altas de juros Os três principais índices acionários de Wall Street fecharam a sessão desta sexta-feira em queda, em meio à preocupação do investidor com uma recessão global. Depois de uma sequência de decisões de grandes bancos centrais rumo a uma política monetária mais apertada, hoje o governo britânico anunciou um corte de impostos para tentar evitar uma recessão. Esse foi o mais claro sinal de que as coisas não caminham bem e que a preocupação com o desempenho das economias diante das altas de juros cresce. Diante disso, as bolsas caíram, com o Dow Jones tendo flertado com o “bear market” (nível técnico que indica tendência de queda e é marcado pelo recuo de 20% em relação a um pico recente), enquanto o dólar se fortaleceu ante as principais moedas do planeta.

No fim das negociações desta sexta-feira, o índice Dow Jones fechou em queda de 1,61%, a 29.590,41 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 1,72%, a 3.693,23 pontos, e o Nasdaq registrou perdas de 1,80%, a 10.867,93 pontos. No acumulado da semana, os três índices fecharam com quedas de 3,99%, 4,64% e 5,07%, respectivamente. Entre os índices setoriais, o pior desempenho tanto desta sexta-feira (-6,75%) quanto da semana (-9%) ficou com o segmento de energia. O setor foi impactado pela fraqueza dos preços do petróleo, que sofreram com a perspectiva de uma recessão global.

Ao longo da semana, com a decisão de vários bancos centrais por elevar as taxas de juros para controlar a inflação elevada, a preocupação com um menor desempenho das economias foi crescendo. Hoje, porém, com o anúncio do governo britânico em cortar impostos para impulsionar a atividade, a apreensão alcançou um novo patamar.

Nas palavras do estrategista Barry Gilbert, do LPL Research, é difícil não chamar o atual cenário de estagflação neste momento. “Com o crescimento estável no primeiro semestre do ano, as expectativas de crescimento para o resto do ano fracas, a inflação continuando muito alta e o Federal Reserve (Fed) aumentando agressivamente as taxas, temos claramente a combinação de fraqueza econômica com alta inflação que deu o nome de "estagflação"”.

“Mas esta não é a estagflação do estilo dos anos 1970 e as consequências finais desse período de estagflação provavelmente serão mais benignas”, ainda segundo comentário de Gilbert, em nota. “Embora a inflação tenha sido alta, a taxa de desemprego permaneceu muito baixa.”

Mas, enquanto as consequências dessa estagflação não se desenham muito bem no imaginário do investidor, a incerteza segue firme. Diante disso, hoje o dólar se fortaleceu no exterior, operando com ganhos de 1,45%, a 112,969 pontos, perto das 17h20. A moeda americana se valorizou principalmente sobre a libra, que no mesmo horário, recuava 3,51%, a US$ 1,0866. A divisa britânica caiu para o seu menor patamar desde 1985 com a decisão do governo do Reino Unido em cortar impostos e adotar subsídios.

Também na sessão desta sexta-feira, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que o BC americano vai usar todas as suas ferramentas para ajudar a economia americana a atravessar esse período especialmente difícil.

No mercado acionário, as big techs foram penalizadas, com a Amazon retraindo 3,01%, Microsoft caindo 1,27%, Apple recuando 1,51%, Meta perdendo 1,69% e Google registrando perdas de 1,40%. Já as ações do FedEx caíram 3,32% depois que a companhia apresentou resultados mais fracos do que o esperado para o primeiro trimestre fiscal.

Richard Drew/AP

Fonte: Valor Invest

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