02/07/2020 às 22h05min - Atualizada em 02/07/2020 às 22h05min

​Família acusa HU de negar documentos e informações sobre paciente que morreu na unidade

Hospital nega sonegação de documentos e garante que trabalha com base na transparência

Da Redação
Familiares da aposentada Maria Madalena dos Santos França, de 65 anos, que faleceu no último dia 24, acusam o Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, em Maceió de negar documentos e informações sobre o período em que a senhora esteve internada na unidade de saúde. O filho de Maria Madalena, o bombeiro civil Bruno Rafael França, registrou boletim de ocorrência contra o HU alegando que o hospital teria negado socorro adequado à sua mãe.
De acordo com Bruno Rafael, tudo começou em março deste ano, quando sua mãe teve três Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). Ela foi levada para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou 30 dias internada. Após a realização de uma tomografia computadorizada, Maria Madalena recebeu alta médica e passou a ser acompanhada pela equipe do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD).
Três meses após o internamento pelos AVCs, no dia 9 de junho, os profissionais de saúde constataram que a aposentada estava com a pressão arterial alta, assim como o nível de glicemia, e solicitaram que ela fosse internada no HU. No dia seguinte, 10 de junho, Maria Madalena foi levada para a unidade indicada e internada no 4º andar, onde funciona a Clínica Médica. Como o HU não tem condições de acomodação de acompanhantes, a idosa ficou sob os cuidados exclusivos dos profissionais do HU e sua família recebia as informações sobre o estado de saúde da idosa por telefone.
Dois dias após o internamento, em 12 de junho, Bruno Rafael relata que os médicos avisaram a família que a aposentada estava com suspeita de Covid-19, mas que exames precisavam ser realizados para constatar ou descartar a onça. Ela teria sido transferida para a enfermaria onde estavam os pacientes com suspeita de Covid-19, por volta das 8h30 e na mesma data, à noite, ela teria retornado para a Clínica Médica porque seus exames haviam dado negativo para o coronavírus.
No dia seguinte, 13 de junho, os médicos teriam informado que um outro exame havia detectado que Maria Madalena estava com a Covid-19 e, mais uma vez, ela foi transferida para a enfermaria.
“Os dias se passavam e os médicos sempre ligavam para informar o quadro de saúde da minha mãe. Até que no dia 24 de junho, uma médica que se identificou como Doutora Renata, ligou por volta das 18 horas, informando que minha mãe estava se recuperando bem. Qual não foi a minha surpresa e desespero quando, às 19h20, a assistente social do HU ligou solicitando minha presença urgente no hospital”, relembra o bombeiro civil.
“Atendi o chamado e cheguei ao HU às 19h40. Fiquei esperando até as 22h45 até que um psicólogo do HU me informou que minha mãe tinha entrado em óbito. Ao receber a documentação do óbito, para retirar o corpo do hospital, dar entrada na funerária e no cartório, vi que o horário do óbito era de 17h, ou seja, a médica me ligou uma hora depois da morte da minha mãe dizendo que ela estava bem e se recuperando. Como pode isso? Pedi ao psicólogo para reconhecer o corpo da minha mãe e ele pediu que eu aguardasse. A espera foi até 1h15 da madrugada”, revela Bruno Rafael.
De acordo com o laudo do HU, a causa da morte da aposentada foi Covid-19. No entanto, o filho de Maria Madalena disse que os médicos da unidade ficaram sem palavras quando ele questionou o porquê de sua mãe havia ter chegado ao HU para tratar um quadro de pressão arterial alta e a glicemia oscilando muito e, no final, eles terem colocado como suspeita ou a própria Covid-19.
“Eles ficaram de boca fechada. Também questionei como a médica me ligava às 18h informando um quadro bom da paciente, às 19h20 a assistente social solicitava minha presença com urgência no HU e a documentação do óbito atestava que ela faleceu às 17h. Ninguém respondeu. Solicitei do HU todos os exames que foram feitos pela minha mãe no HU, mas tive o pedido negado e fui informado de que os documentos só seriam entregues com ordem judicial. Por isso fiz o Boletim de Ocorrência, porque acredito que não somente estão me sonegando informações, como também houve omissão de socorro contra minha mãe”, defende o bombeiro civil.
Ele está de posse de todos os exames feitos no HGE e os documentos de acompanhamento do D.A.S. e nenhum deles dava conta de qualquer suspeita de Covid-19.

Contraponto

O Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HU) encaminhou nota sobre o falecimento da aposentada Maria Madalena dos Santos França, de 65 anos, que faleceu na unidade no último dia 24. Na nota, o hospital informa que as informações divulgadas pela família da idosa não procedem, afirma que está disponível para atender os questionamentos, lamenta a morte da paciente e lembra que trabalha com total transparência.
 
Confira a nota na íntegra:
 
O Hospital Universitário informa que os relatos sobre o caso não procedem, sobretudo, o questionamento referente à causa do falecimento da paciente. O HU possui os exames realizados pelo Lacen, que, comprovadamente, atestam o diagnóstico da assistida. Por questões éticas, o Hospital não pode expor o quadro clínico de pacientes por vias não legais. Por esse motivo, a instituição reforça que está disponível para atender a todos os questionamentos dos legitimados a obter as informações sobre o acontecimento, seguindo o rito jurídico.  O HU lamenta o fato de a paciente já ter sido trazida em estado grave para atendimento e se solidariza com os familiares. O Hospital ressalta que a transparência é um princípio assegurado ao cidadão e que não se exime ao dever de cumpri-lo.


 

 

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