Setor de serviços sobe pelo 6º mês em novembro, mas ainda não repõe perdas da pandemia

Setor de serviços sobe pelo 6º mês em novembro, mas ainda não repõe perdas da pandemia

Atividade mais afetada pela pandemia do novo coronavírus, o índice de serviços cresceu 2,6% em novembro, o sexto mês consecutivo de alta, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) nesta quarta-feira, 13. Apesar do avanço de 19,2% entre maio e junho, o valor ainda não compensa a perda de 19,6% acumulada entre fevereiro e maio, o período mais crítico da crise. Na comparação com o penúltimo mês de 2019, o setor de serviços apresenta queda de 4,8%. No acumulado do ano, o tombo é de 8,3%, enquanto nos últimos 12 meses o recuo fica em 7,4%. Os resultados da Pesquisa Mensal de Serviço (PMS) apontam que o volume de serviços no Brasil ainda se encontra 14,1% abaixo do recorde histórico, de novembro de 2014, e 3,2% abaixo de fevereiro de 2020. As atividades no serviço são as mais relevantes para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e são responsáveis pelo maior número de empregos no país. As áreas relacionadas com o segmento, como bares, restaurantes, hotéis e transportes, foram as mais impactadas pelas medidas de isolamento social impostas para reduzir o contágio da Covid-19.

De acordo com os números do IBGE, todas as cinco atividades que compõem o setor apresentaram avanço entre os meses de outubro e novembro. Os destaques ficaram para os recortes de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que registrou alta de 2,4%, e serviços prestados às famílias, que avançou 8,2%. Ambas foram as mais afetadas pela pandemia. De acordo com o gerente da PMS, Rodrigo Lobo, as atividades do setor de serviços que estão encontrando mais dificuldades são aquelas prestadas de forma presencial. “Atividades como restaurantes, hotéis, serviços prestados à família de uma maneira geral e transporte de passageiros, seja o aéreo, o rodoviário ou o metroviário, até mostraram melhoras, mas a necessidade de isolamento social ainda não permitiu o setor voltar ao patamar pré-pandemia”, explica Lobo. Outro destaque foi a atividade de serviços profissionais, administrativos e complementares, com crescimento de 2,5%.

Em paralelo a novembro de 2019, o segmento teve tombo de 4,8%, o nono registro negativo do indicador. A comparação anual apresenta retração de três atividades averiguadas pelo IBGE. “Quando mudamos a base de comparação, a leitura é diferente, já que em 2019 não havia contexto de pandemia e recomendações como o isolamento social e o teletrabalho. Por isso, parte de uma base de comparação mais elevada”, diz Lobo, lembrando que a taxa de novembro é a segunda menos intensa da série de nove negativas, perdendo apenas para março (-2,8%), quando as restrições de locomoção começaram a ser implementadas. Ainda contra novembro do ano passado, entre os setores, os serviços profissionais, administrativos e complementares (-10,7%) e os serviços prestados às famílias (-26,2%) exerceram as influências negativas mais importantes sobre o volume total de serviços. Outro recuo relevante veio dos transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-3,7%). Apenas outros serviços (7,3%) e serviços de informação e comunicação (1,0%) tiveram alta nessa comparação.