13/06/2020 às 14h58min - Atualizada em 13/06/2020 às 14h58min

Brasil tem duas áreas para desenvolver vacina nacional, diz Pazuello

A busca estaria concentrada nos estados de São Paulo e Minas Gerais

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O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello

Em entrevista exclusiva à CNN, veiculada neste sábado (13), o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, falou, entre outros assuntos, sobre o desenvolvimento de vacinas no Brasil contra a Covid-19, a nova forma de contagem de vítimas da doença e estratégias para otimizar a testagem no país.

O ministro afirmou que o governo tem duas áreas trabalhando no desenvolvimento de uma vacina nacional, uma em São Paulo e outra em Minas Gerais. "Não é um desenvolvimento rápido. A previsão é de, meados do ano que vem, ter essa vacina nacional completa, pura", afirmou em entrevista ao repórter Leandro Magalhães.

Pazuello disse ainda que, em diferentes níveis, o Brasil acompanha o trabalho de outros países que estão em estágio mais avançado para encontrar a imunização contra o vírus, como Inglaterra (de Oxford), Estados Unidos (Moderna) e China. Segundo o ministro, o país já se colocou à diposição para participar das testagens, desenvolvimento e fabricação dessas possíveis vacinas.

O chefe da pasta da Saúde defendeu a nova forma de contagem de infectados e mortos pela Covid-19. "A primeira coisa que temos que entender é que a metodologia de contagem não altera o número de óbitos", disse. 

Ele afirmou que não houve mudança na metodologia, mas um aprofundamento dos dados para que prefeitos pudessem ter uma visão da curva de evolução da doença, em cada cidade, "sem variações". E defendeu a busca por números exatos.

"[Antes], os dados apresentados eram apenas 'somativos'", disse. "[Agora], no Brasil, nós estamos trabalhando os dados regionalmente, por estado e por município, o que mostra que nós temos curvas diferentes em cada local do país."

Pazuello rejeitou as críticas de que o governo teria tentado manipular os dados sobre a doença. "Os dados [divulgados antes da mudança] não tem como ser manipulados, porque eles estão registrados. Seria um absurdo você ter registros específicos e o governo, nós, do Ministério da Saúde dizermos que aqueles dados não exisitem, que aqueles números não aconteceram", afirmou. 

"Não é apenas falar o número total, e sim mostrar como se chegou naquele número. Esse foi o grande objetivo de todo o trabalho", disse.

O ministro disse ainda confiar nos números informados pelos estados e defendeu que as medidas de combate à doença devem ser definidas pelos governos locais.

Sobre a disponibilidade de testes no país para detectar a doença, Pazuello afirmou que o ministério está terminando de desenvolver "uma grande estratégia de testagem" de infecção. Segundo ele, esse plano lhe será apresentado na próxima semana e deve tratar o melhor momento de fazer cada tipo de teste e quantos devem ser distribuídos pelo país.

Na entrevista, o ministro também disse que o governo deve anunciar o nome do novo secretário da pasta na próxima semana. A respeito das mudanças recentes no Minstério da Saúde, ele preferiu não avaliar o desempenho das gestões anteriores.

Histórico

Pazuello está interinamente no cargo de ministro da Saúde desde a segunda quinzena de maio. Ele era secretário-executivo da pasta e passou a comandá-la após o pedido de demissão de Nelson Teich.

Desde que assumiu, o general nomeou diversos militares para o ministério, o que tem gerado insatisfação de servidores de carreira

Natural do Rio de Janeiro, Pazuello Eduardo Pazuello é formado pela Academia Militar das Agulhas Negras, em 1984. Participou de Operações no Centro de Instrução de Guerra na Selva, em Manaus (AM) e, assim como o presidente Jair Bolsonaro e outros militares, tem o curso de paraquedista.

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