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Economia

BC diz que economia surpreende e vê menos riscos para a retomada em 2021

Por Henrique Dias 22/06/2021 às 13:28:24

A despeito da piora da pandemia do novo coronavírus, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) afirmou que os indicadores mostram que a atividade econômica continua “surpreendendo positivamente”, e que os riscos para a recuperação da economia brasileira em 2021 foram significativamente reduzidos. “Para o Comitê, o segundo semestre do ano deve mostrar uma retomada robusta da atividade, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente. O Comitê notou que a mediana das projeções de crescimento, segundo a pesquisa Focus, sofreu revisões significativas e passou a ser mais otimista do que as do seu cenário básico”, informou o colegiado nesta terça-feira, 22, por meio da ata da reunião realizada na semana passada. Na ocasião, o BC acrescentou 0,75 ponto percentual na Selic e elevou a taxa de juros para 4,25% ao ano.

Segundo o documento, o Copom cogitou fazer um aumento mais robusto na Selic, e não descarta fazer um movimento maior no encontro agendado para os dias 3 e 4 de agosto. Analistas do mercado financeiro chegaram a prever alta de 1 ponto percentual no último encontro em meio ao avanço da inflação nos últimos meses, levando a taxa para 4,5% ao ano. “Frente à revisão da trajetória de política monetária implícita nas suas projeções, o Comitê avaliou uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários já nesta reunião. Considerando os diversos cenários alternativos, o Comitê entendeu que a melhor estratégia seria a manutenção do atual ritmo de redução de estímulos, mas destacando a possibilidade de ajuste mais tempestivo na próxima reunião”, informou. O mercado financeiro elevou a perspectiva com a Selic para 6,5%, ante projeção de 6,25% na semana passada.

Apesar de “deixar a porta aberta” para um crescimento mais significativo, a autoridade monetária sinalizou que deve fazer um novo acréscimo da mesma proporção pela quarta vez no ano, subindo a Selic para 5% ao ano. O movimento, porém, vai depender do cenário econômico. “Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação.” Segundo o colegiado, a estratégia de aguardar até o próximo encontro para definir por um aumento maior da Selic leva em conta a possibilidade de ganhar tempo para acumular informações sobre a trajetória da inflação. O BC também ponderou que a media “visa esclarecer a distinção entre transparência sobre as projeções condicionais e intenções invariantes de política monetária”. “Desse modo, indicações sobre a trajetória futura dos juros, sejam para a próxima reunião ou para o patamar final, são elementos úteis para a compreensão da função de reação da política monetária. As informações obtidas no período entre as reuniões do Copom modificam as hipóteses presentes no cenário básico e no balanço de risco, e naturalmente alteram a trajetória futura dos juros.”

A ata da reunião também reforçou a estratégia de buscar a normalização dos juros para patamar neutro, ou seja, quando a Selic não estimula nem prejudica a atividade econômica. O nível, segundo analistas, é de 6,5% ao ano. “Esse ajuste é necessário para mitigar a disseminação dos atuais choques temporários sobre a inflação. O Comitê enfatiza, novamente, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação”, informou a autoridade monetária. O Copom também voltou a falar que a pressão inflacionária está maior do que o esperado, especialmente entre os bens industriais, e que a crise hídrica deve contribuir para a elevação da inflação no curto prazo, apesar da recente valorização do real ante o dólar. “O Comitê segue atento à evolução desses choques e seus potenciais efeitos secundários, assim como ao comportamento dos preços de serviços conforme os efeitos da vacinação sobre a economia se tornam mais significativos.” O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial da inflação, foi a 8,03% nos 12 meses acumulados em maio, bastante acima do teto da meta de 5,25% perseguida pelo BC, com centro de 3,75% e piso de 2,25%.

Fonte: Jovem Pan

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