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Economia

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Auxílio emergencial: Mães chefes de família contam como vivem com o benefício do governo

Por Henrique Dias 09/05/2021 às 08:40:44

Cintia Braga de Paula, de Belford Roxo, no Rio de Janeiro, está desempregada e tem duas filhas: uma de 9 e outra de 16 anos. Desde abril de 2020, ela é uma das milhões de mulheres chefes de família que recebem o auxílio emergencial do governo federal. Dados do Ministério da Cidadania mostram que, entre os 68,2 milhões de beneficiários, o público predominante que recebeu o benefício é composto por pessoas do sexo feminino e que tem entre 18 e 34 anos. Segundo a análise da própria pasta, isso indica que as mulheres apresentam maior grau de vulnerabilidade que os homens. Do total de pessoas que receberam o auxílio emergencial em 2020, a estimativa é de que pelo menos seis milhões eram mulheres provedoras da família. Neste ano, com algumas mudanças nos critérios, após análise de quem recebeu a primeira parcela, esse grupo representou mais de cinco milhões de pessoas. Os dois números podem ser bem maiores, já que o Ministério da Cidadania só considera o cadastro do Bolsa Família — apenas 23% do total de beneficiários — neste cálculo.

Isso abre brecha, também, para casos como o da Gabrielle Gomes Calado, que mora em Diadema, em São Paulo, está desempregada e tem um filho. Mesmo sendo mãe e chefe de família, não recebeu o valor designado a esse grupo — R$ 1,2 mil, R$ 600 e R$ 375. “Quando fui ao banco, me disseram que não tinha como eu reivindicar, porque era o único valor que estava disponível no meu NIS [Número de Identificação Social, que é um cadastro oferecido pelo governo federal]. Depois, nem perguntei mais, fiquei com medo de tirarem o pouco que recebi.” Antes da pandemia, ela fez bicos como recepcionista, auxiliar e babá. Desde o ano passado, está em casa. “Apesar de ser muito difícil essa questão de não poder sair, ir em busca de trabalho, tem um pouco do estresse de tanto ficar em casa, já não tem mais coisas novas para fazer. Meu filho está nessa fase da escolinha, estou curtindo porque é uma fase que estou vivendo as descobertas com ele. Mesmo sendo só um bebê, ele tem algumas atividades online. Se eu estivesse trabalhando direto, não teria esse tempo pra ele. Às vezes tenho que me dividir em dez, mas tudo bem. Bate o cansaço, não só físico, mas mental e emocional também. Não tenho muitas opções — ou sou eu, ou sou eu.”

Para as mulheres que conseguiram receber o maior valor do auxílio emergencial, um ano depois do início do programa, tiveram 68,75% de queda na renda, tendo como base o valor recebido com o benefício. Entre abril e agosto de 2020, elas receberam R$ 1,2 mil por mês — o dobro da maior parcela da população, que tinha direito a R$ 600. Já entre setembro e dezembro, o valor caiu pela metade: R$ 600 para mulheres chefes de família e R$ 300 para os outros beneficiários. Em 2021, com uma nova onda da pandemia da Covid-19 ainda mais forte, o benefício foi estendido — mas a quantia que chega aos bolsos dos brasileiros é bem menor: R$ 175 para famílias formadas por apenas um membro; R$ 250 para famílias que possuam dois ou mais membros; e R$ 375 para mães que são chefes do lar.

Diferente de antes, neste ano o valor destinado para elas não é o dobro do valor que a maioria dos beneficiários recebe, mas apenas 50% maior. Ao longo de todo esse tempo, a renda total proveniente do benefício não chega a R$ 9 mil — mensalmente, não passa nem perto do valor do salário mínimo de R$ 1,1 mil. Cintia, que já estava desempregada quando a pandemia chegou e até agora não conseguiu um emprego como auxiliar de serviços gerais ou diarista, acredita que o dinheiro ajuda, mas não é possível fazer uma boa compra no supermercado. “É muito difícil, porque não sabemos como será o nosso dia de amanhã, como conseguiremos alimento, como ficará a educação das minhas filhas. E ainda tem essa doença, com tantas pessoas morrendo e os hospitais lotados. É difícil lidar com tantas incertezas e ainda conseguir ter esperanças.”

Fonte: Banda B

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