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Economia

Já pensou em como quer envelhecer?

Por Henrique Dias 04/05/2021 às 06:24:09
O colunista Renato Bernhoeft diz que profissionais devem planejar o pós-carreira muito antes da aposentadoria - e com olhar apurado, planejamento amplo e que preze pela saúde mental o tempo todo A pergunta "o que você quer ser quando crescer?" é, normalmente, formulada para jovens e adolescentes que estão em uma fase de vida em que as dúvidas e escolhas sobre o futuro surgem por todos os lados da parte dos familiares, amigos, professores, orientadores de carreira, entre outros. Mas com o aumento do índice de longevidade – e de forma acentuada e especial no Brasil – este questionamento adquire uma nova versão para um universo que não está habituado a se questionar sobre seu futuro.

Diria, de forma enfática, que embora estas questões devam permear a vida como um todo, uma das etapas considerada fundamental para pensar, e dar atenção ao tema, é na meia-idade. Ou seja, quando a curva da vida se acentua, mostrando um presente fortemente influenciado pelo passado e as incertezas sobre o futuro apresentam novas provocações.

Um incômodo muito comum nesta etapa é a descoberta que houve uma forte dedicação de tempo e preocupações com a vida profissional. Algo que sempre foi recorrente entre as figuras masculinas, mas que na atualidade também tem ocorrido com mulheres que buscam sua realização pela via do trabalho/carreira ou empreendimentos próprios.

Ou seja, os descuidos com a vida conjugal, familiar, social e até espiritual, cobra seu preço pelo total despreparo pelo que temos chamado, já de longa data, de “pós-carreira”. O preparo não é apenas para a aposentadoria. Na realidade trata-se de uma nova etapa de vida que exige reinvenções, muitas vezes, de forma radical.

Vale sempre reforçar que o não vivido no passado não retorna nem pode ser acumulado para um desfrute posterior. Arrependimentos não constroem sonhos e muito menos projetos futuros. Estamos tratando de uma outra etapa de vida. O que já se tem constatado desde o final do século passado, e de forma mais enfática no atual, é que as pessoas tem se preocupado de forma mais intensa em cuidar mais intensamente da saúde física. Uma minoria cuida também de criar uma reserva financeira, bem como da construção de um patrimônio. Alguns ainda se esforçam para deixar uma herança material para os seus herdeiros. Mas vale lembrar de que nem sempre esta medida tem se mostrado uma boa solução para as gerações seguintes.

O que temos constatado é que estas preocupações materiais ainda não são direcionadas, com a mesma atenção e prioridade, para os temas da saúde mental e com um olhar mais apurado (e ações concretas) no estabelecimento de um projeto de vida em busca de um envelhecimento saudável no sentido pleno do que esta palavra significa.

Não basta imaginar uma etapa que se destine, exclusivamente, ao desfrute. Nossa formação, desde a infância, é de trabalhar de forma prioritária, adiando uma ideia de prazer por compensação futura. A grande maioria não consegue um equilíbrio entre trabalho e desfrute ao longo da vida. Outro ponto que merece atenção é o de criar uma nova "identidade" em função da perda do sobrenome corporativo, que por muito tempo abriu portas e criou um falso "status". Enfim, volto com a questão como ponto de partida para as reflexões do leitor:

- Você já pensou em como quer envelhecer?

Tenha certeza que as respostas estão dentro de você e no diálogo com aqueles que lhe são caros, afetivamente falando.

Pandemia reforça a necessidade de revisões permanentes na carreira

Como lidar com a perda do sobrenome corporativo

Fonte: Valor Invest

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